Teoria dos Traços de Personalidade – o comportamento em 5 eixos principais

Teoria dos Traços de Personalidade – o comportamento em 5 eixos principais

Se te pedissem para descrever sua personalidade, o que você diria? Bom, há muitos anos, estudiosos da área desenvolveram técnicas e métodos que são usados e testados até hoje para tentar descobrir um pouco mais sobre cada indivíduo. Neste artigo vamos falar sobre a Teoria dos traços de personalidade, uma dessas técnicas.

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Antes de falar sobre os traços de personalidade, vamos definir o que ela significa.

Personalidade é o que faz de você uma pessoa única, diferente de todo o resto. Para a psicologia, um conjunto integrado de traços psíquicos, consistindo no total das características individuais, em sua relação com o meio, incluindo todos os fatores físicos, biológicos e socioculturais, unindo tendências que nascem com a pessoa e experiências adquiridas no curso de sua existência. E é sobre isso que as 5 dimensões da Teoria dos traços de personalidade dialogam.

Como começou a Teoria dos Traços de Personalidade

Vamos começar bem lá do início, quando o cientista Sir Francis Galton pensou que seria possível analisar as pessoas pela linguagem, o que ficou conhecido como hipótese lexical. Alguns anos mais tarde, Gordon Allport e H. S. Odbert expandiram essa teoria pesquisando em um dicionário nada menos que 17.954 palavras que descreviam características relacionadas à personalidade e depois reduziram essa imensa lista para 4.500 adjetivos que, segundo eles, descreviam características observáveis e relativamente permanentes.

Vinte anos mais tarde, Raymond Cattell obteve essa lista elaborada por Allport e Odbert e eliminou todos os sinônimos, chegando a um total de 171 adjetivos. Então, ele pediu que participantes de sua pesquisa analisassem pessoas que eles conheciam, baseando-se nessas características, e, com os resultados, foi possível criar 35 grupos de personalidade.

Em seguida, resolveu adicionar mais 10 grupos, a partir de uma revisão da literatura psiquiátrica. Com os 45 grupos em mãos, Cattel usou um sistema de análise fatorial e delimitou os 16 principais fatores de personalidade, que ficaram conhecidos como Questionário de Personalidade 16PF.

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Por que Cinco Fatores?

A partir da década de 50, vários estudos foram conduzidos sobre as teorias fatoriais e o modelo de Cattel. Uma das pesquisas mais conclusivas, o estudo de Fiske, encontrou evidências de que cinco fatores eram suficientemente abrangentes para uma solução fatorial adequada.

Goldberg, em 1981, já tinha notado que o desenvolvimento da linguagem, como nós falamos no início do texto, expressava uma preocupação em obter mais informações sobre como os indivíduos vão interagir. Em 1992, McAdams percebeu uma coisa interessante: os cinco fatores estão relacionados a traços que nós geralmente queremos saber sobre as pessoas.

Basicamente, os traços analisados são de um indivíduo passivo ou dominante, agradável ou desagradável, responsável ou negligente, imprevisível ou estável e curioso ou desinteressado. Saiba um pouco mais sobre cada um individualmente:

Extroversão:

Esse traço é sobre como a pessoa se comporta em sociedade, indicando o quanto são falantes, ativas e afetuosas. Pessoas com baixo score nesse fator tendem a ser mais reservadas e normalmente ditos como introvertidos.

Socialização ou Agradabilidade:

Se a extroversão diz respeito à energia gasta com relações sociais, a socialização trata o comportamento em relação aos outros. Pessoas com grande agradabilidade tendem a ser mais respeitosas, carinhosas, empáticas e têm facilidade em fazer novas amizades. Já na outra extremidade, os indivíduos tendem a ser pouco sensíveis.

Embora esse segundo grupo não seja necessariamente de características ruins, eles tendem a deixar uma impressão pouco calorosa nas pessoas, o que indica pessoas ideais para cargos militares, por exemplo.

Conscienciosidade:

Essa característica diz respeito a capacidade de organização, persistência, controle e motivação. Pessoas com alta pontuação nesse fator se destacam na capacidade de planejar de forma eficaz, organizar e trabalhar dentro das regras. Quem está do outro lado tende a ser pouco organizado e não gosta de ambientes com muitas regras, preferem trabalhar de forma flexível e com menos “procedimentos engessados”. Algumas características desse fator são persistência, ambição, controle e planejamento.

Neuroticismo:

Neuroticismo refere-se à tendência de experimentar sentimentos negativos. As pessoas de alta pontuação neste fator são emocionalmente reativas, mais propensas a interpretar as situações comuns como ameaçadoras e frustrações como difíceis de superar. No outro extremo da escala, são os indivíduos dificilmente perturbados e menos emotivos e reativos. Vale lembrar que ambas as extremidades nesse fator podem apresentar prejuízos na saúde mental ou na adaptação ao ambiente.

Abertura para experimentar:

É o fator ligado ao intelecto e à imaginação. Diz respeito à vontade de tentar coisas novas, pensar fora da caixa, serem criativas e imaginativas. Alguém com grande abertura para experimentar é um curioso nato, adora aprender, normalmente desenvolve uma carreira criativa como um projeto ou até mesmo um hobby, do outro lado temos quem prefere a rotina, artes abstratas e se ater aos conhecimentos que já tem.

Então, qual profissão se relaciona com o traço?

Durante o início da nossa vida profissional fazemos diversos processos seletivos, e provavelmente você não foi aprovado em pelo menos um deles, mas isso não é um problema. Cada cargo exige um tipo de personalidade diferente e uma combinação dos cinco fatores que torna uma pessoa certa para ocupar aquela vaga.

Por exemplo, se tomarmos como base um cargo para área social é provável que venhamos buscar pessoas que possuam características mais afáveis e empáticas. Por outro lado, se pensarmos em um cargo de segurança pública, um policial por exemplo, é importante que ele se envolva menos emocionalmente e haja como maior racionalidade nas relações.

Como utilizar o Big Five?

Você deve estar curioso sobre como nós podemos aplicar essa teoria. Bom, todos têm uma mistura dos cinco fatores, e isso é ressaltado na nossa personalidade. Então, esse método é normalmente utilizado em processos seletivos. Por exemplo, uma pessoa com alta pontuação em agradabilidade tende a ser comunicativa e sociável, enquanto que com baixa pontuação mostra-se mais reservada e tímida.

A combinação da pontuação dos cinco traços mostrará qual a função certa para aquele candidato e se está ou não de acordo com a vaga concorrida. Por isso sempre dizemos, não passar em um processo seletivo não quer dizer que você fracassou!

Mas não é só na contratação que o uso da teoria dos traços de personalidade é útil. Avaliando sua equipe é possível combinar as melhores pessoas para trabalharem juntas, a quem delegar tarefas e até quem deve ser responsável por evacuar o prédio em caso de acidentes! Assim você consegue combinar as necessidades do colaborador com as da empresa!

Conclusão

Quanto melhor você conhece as pessoas, mais fácil é trabalhar com elas e explorar seus talentos, ajudando-as a evoluir. E, enquanto isso, a produtividade aumenta e o clima organizacional vai ficar melhor ainda!

O que achou da Teoria dos Traços de Personalidade? E com qual traço você mais se identifica?

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3 Replies to “Teoria dos Traços de Personalidade – o comportamento em 5 eixos principais”

  1. Adorei o texto, e me trouxe um frescor no entendimento das relaçoes de trabalho, familiar, etc., baseando-se no conhecimento de si e na boa compreensão da personalidade dos outros.

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